A primeira produção cinematográfica conjunta de Daniela Thomas e Felipe Hirsch
Analogia entre os sintomas da “enfermidade” com sinais existentes no início de
uma paixão
Com uma vasta experiência na direção e cenografia de peças teatrais, Felipe Hirsch e Daniela Thomas se uniram pela primeira vez para produzir uma obra cinematográfica: o longa metragem Insolação (2009). O drama gravado na cidade de Brasília, possui um elenco com alguns nomes já conhecidos pelo público, dentre eles: Emílio Di Biasi, Jorge Emil, André Frateschi, Paulo José, Leandra Leal, Leonardo Medeiros, Maria Luísa Mendonça, Daniela Piepszyk e Simone Spoladore.
O roteiro caracterizado por ser pleno de razão e emoção, mas tão vazio e angustiante como uma obra eslava, de Will Eno e Sam Lipsyte, aborda como tema central os sentimentos de amor e perda de suas personagens, que variam de papéis comuns como o de um garoto apaixonado pela primeira vez, um casal de adultos em profissões indistintas, até os mais irreverentes como o de uma jovem garota ninfomaníaca, uma “Lolita”, e ainda tem a presença de um narrador nostálgico. Durante seus 93 minutos, o filme mostra uma Brasília abandonada, onde somente as personagens estão presentes andando como fantasmas pela cidade à procura de um amor inalcançável. Diante da morte iminente, todos decidem viver aquela última noite e não racionar o que têm para sobreviver por mais alguns dias, porém, confundem a sensação febril da insolação causada pelo forte sol da Capital brasileira, com a sensação de estarem apaixonados.
O roteiro é marcado pelos longos monólogos, aleatoriedade e uma percebida influência dos contos russos do século XIX, que se encontra até nos nomes. E o grande mérito vai para a fotografia, que soube fazer desaparecer dos quadros a população da capital brasileira. O filme é considerado melodramático por algumas pessoas devido às músicas e ao tom com que o longa se desenrola.
A produção teve sua estréia na 66ª edição do Festival de Cinema de Veneza, na mostra paralela Horizontes, e foi Selecionado para o Festival do Rio, na Mostra Première Brasil hors-concours. Hirsch conseguiu com o filme Insolação, provar que é possível fazer cinema-arte no Brasil.
Texto: Marília Alberti e Rhânele Kiatkoski
Edição: Júlia Magalhães e Paola Possato
Fotografia: Divulgação

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ResponderExcluirqdo forem duplicar, postem primeiro na cineacademia